Comenda Templária

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São João Baptista (Tomar)

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A Um de Março do ano de 1160 Gualdim Pais, Grão-mestre provincial desse jovem reino de Portugal, inicia a construção do majestoso Castelo de Tomar. Ao registar esse momento numa lápide que ainda hoje se encontra na ombreira da antiga entrada da torre de menagem do mesmo castelo, perpectuou o nome de Tomar como sede da Ordem Templária em Portugal. 

O inovador plano arquitectónico desenvolvido pelo Mestre Gualdim Pais é inspirado na Jerusalém de então, onde este Cavaleiro Templário estivera 5 anos em missão e de lá regressa com um elevado conhecimento, bem como algumas relíquias que valorizaram e simbolicamente elevaram o estatuto espiritual de Tomar. Relíquias que hoje se podem apreciar no Tesouro da Sé de Lisboa. 

Tomar desenvolve-se assim como a Jerusalém do Ocidente. No Castelo eleva-se uma torre singular e inspiradora que servirá para a exaltação espiritual dos cavaleiros, a Charola Templária. A vila de Tomar estabelece-se intramuros na segurança deste vasto Castelo, no entanto vamos assistir à edificação já no final do séc. XII a Igreja de Santa Maria dos Olivais, num campo afastado deste, na margem nascente do Nabão, onde antigamente se situava a Sellium romana e um antigo mosteiro Beneditino. 

Santa Maria dos Olivais converte-se no Panteão dos Mestres, numa planta arquitectónica de transição ao estilo gótico e carregada de simbologia Templária, foi a sede espiritual da Ordem em Portugal, onde prestamos homenagem ao Mestre Gualdim Pais junto da sua pedra tumular.

No apoio aos desígnios da expansão e defesa do reino de Portugal, Tomar lidera e estabelece uma fortaleza estratégica no centro do país.

O processo odioso e inquisitório iniciado em França pelo Papa de Avinhão e o Rei Filipe IV, o Belo, no início do séc. XIV, suprime a Ordem Templária. Acusados de heresia e demais injustiças, todos os reinos cristãos de então seguem os desígnios papais, mesmo considerando infundados devem-lhe obediência. Porém, em Portugal, sob o reino de D. Dinis, vai nascer uma nova Ordem que em terras Lusitanas substituirá a dos Templários: Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo.

Após alguns anos de instalação e transições, é em Tomar que se sediará definitivamente em meados dos anos 50 do séc. XIV e aqui comandará até sua extinção em 1834, sofrendo várias reformas ao longo dos séculos, um magnifico Convento foi crescendo albergando os frades desta tão nobre Ordem.

É efectivamente a Ordem de Cristo, herdeira dos Templários, que irá liderar os desígnios dos Descobrimentos Portugueses. Será em Tomar que o Infante D. Henrique, administrador da Ordem, “desenhará” a maior epopeia nacional dando mundos ao Mundo.

A influência da Ordem de Cristo e de Tomar no reino é tal que quase todos soberanos por aqui estiveram e muitos quiseram deixar a sua marca. É assim que o património desta cidade Templária vai glorificando, crescendo e criando uma singularidade reconhecida internacionalmente.

Tomar hoje tem o complexo Convento de Cristo classificado Património da Humanidade pela Unesco, desde 1983, onde se integra o Castelo dos Templários, a mais antiga Sinagoga da Península Ibérica ainda preservada, um traçado ortogonal no seu casco histórico, vasto património religioso preservado e visitável, lendas ancestrais e uma beleza natural com a conjugação do rio Nabão, jardins e ambiente natural que levou no início do séc. XX Sommerset Maugham quando a visitou de chamar “a mais bela cidade do mundo”.

Uma das imagens reconhecidas de Tomar centra-se numa praça onde se erigiu a estátua ao Mestre Gualdim Pais, o Palácio D. Manuel actuais Paços do Concelho e a Igreja de S. João Baptista, igreja matriz paroquial.

A Ordem dos Cavaleiros Templários tem em S. João Baptista uma adoração especial, é efectivamente este Santo que baptiza Jesus Cristo no Rio Jordão tornando-se o precursor do cristianismo e mentor da fé original. O culto a S. João Baptista reveste-se de um significado iniciático e de simbolismo na transformação do individuo pelo baptismo.

É com uma forte ligação e responsabilidade que a Comenda de Tomar se designa de S. João Baptista evocando o princípio do espírito cristão, ecuménico, tolerante e conciliador entre os povos, numa missão de apoio e interajuda entre todos. 

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