Comenda Templária

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Soure

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Soure foi sede da Ordem do Templo em Portugal entre 1128 e 1147. 

O território remete a uma origem moçárabe. O território constituía uma fronteira entre os cristãos e os muçulmanos, na confluência de dois rios e não distante da estrada importante romana Olisipo – Conímbriga – Bracara Augusta, seria uma importante barreira geostratégica de defesa de Coimbra. Por essa razão, o “castelo de muro” foi construído numa zona baixa e não num cume.   

Em 1111, o Conde D. Henrique terá concedido a carta de foral à vila, legitimando a sua importância política e militar, foral esse confirmado por D. Afonso II. Após a morte do marido, D. Teresa doou o castelo ao conde Fernão Peres de Trava, nobre galego, em 1122, para assegurar a defesa militar do território, mas terá acabado sob a posse da Ordem do Templo. 

Em 1128, D. Teresa doou o castelo de Soure e um vasto território envolvente, até Leiria, o que sugere que terão sido prestados serviços anteriormente, evidenciando a utilidade da Ordem. Ali, teriam surgido os castelos de Ega, Redinha e Pombal, que se automatizaram em Comendas separadas, assim como várias igrejas.

O castelo de Soure foi edificado na segunda metade do século XI por D. Sesnando, governador moçárabe do território de Coimbra. Integrando o antigo caminho português que levava a Santiago de Compostela, assumia um papel de relevância na peregrinação. O território terá sido repovoado após os ataques almorávidas de 1116 pelo cónego de Coimbra Martinho Árias, que lutara ao lado dos Templários. A Ordem edificou torres quadrangulares nas últimas duas décadas do século XII; uma outra torre, a voltada a nordeste, será datada da primeira metade do século XI.

D. Afonso Henriques confirma a doação em 1129. Pedro Fernandes e D. Gil Fernandes Barreto foram Comendadores de Soure (1148 e 1294-1302). Em 1171, foram sendo realizadas obras no castelo pelos Templários, que edificaram a torre de menagem e o alambor, característicos da arquitetura templária. Em 1190, Soure sofreu o último ataque muçulmano, numa tentativa de tomada da capital, Coimbra. 

A paz levou a um desenvolvimento agrícola, ao aparecimento de moinhos hidráulicos na levada do rio Ourão. Instalou-se um regime de arrendamento pelos Templários, a quem os arrendatários pagariam impostos e obrigações e que alimentaria os cofres da Ordem. Seria uma urbe importante, em que a Comenda assumia a terceira posição na lista de 36 Comendas, sendo precedida apenas por Tomar e Pombal. 

No século XIII, um conflito entre a Sé de Coimbra e a Comenda de Soure sobre os direitos sobre as igrejas do território e o pagamento do dízimo. Este acontecimento evidencia conflitos entre a Ordem e a própria Igreja. À beira da dissolução, a Ordem tinha enriquecido, mas perdera a função militar com o fim da Reconquista. D. Dinis reclamou a posse dos castelos templários de Soure, Pombal, Ega e Redinha. Com a dissolução da Ordem, os Templários abandonaram Soure, após uma presença mais do que secular. Em 1319, Soure foi doado à Ordem de Cristo, tendo originado as Comendas de São Pedro da Várzea, São Mateus, Paleão e Casa Velha, Alencarce, Lagares e Moinhos, esta criada em 1715. 

Soure encontrou-se ligado aos Cavaleiros Templários e de Cristo durante séculos. 

Hoje, o Município integra o Centro Interpretativo do Espaço Muralhado de Soure no espaço do castelo, que ajuda a reconstruir a história do território.

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