Património Templário Nacional

Castelo e cerca urbana de Castelo Branco

O castelo remonta à segunda metade do século XII, ou seja, à presença Templária na região. Terá sido construído sob uma fortificação edificada por uma comunidade anterior e foi sofrendo muitas alterações ao longo dos séculos. De planta poligonal, possui um modelo tipológico que relembra importantes fortificações cruzadas na Terra Santa, como o de castelo de Chastel Blanc em termos de área amuralhada, e em pormenores, como o facto de a igreja possuir uma cisterna no subsolo ou de poder ter sido construída incorporada numa estrutura militar. A influência arquitetónica entre estruturas separadas por milhares de quilómetros explica-se pela conjuntura cruzada que marcou a segunda metade do século XII e a própria função da Ordem do Templo. A denominação Castelo Branco atribuída à antiga povoação de Vila Franca da Cardosa, inspira-se, portanto, nesta semelhança. O castelo articulava-se com os outros castelos próximos: Penamacor, Monsanto, Penha Garcia e Nisa, também da Ordem do Templo, e o de Castelo de Vide.

As modificações ao conjunto original tiveram início na época gótica, no final do século XIII e durante o reinado de D. Dinis, um dos monarcas que mais contribuiu para a renovação das estruturas militares medievais portuguesas (ou por D. Afonso VI, em 1343, conjuntamente com a cerca de Nisa). Nessa altura, foi edificada a torre de menagem, de planta poligonal, cujas adulterações levaram à sua destruição e cujos vestígio permanecem visíveis. A muralha teria sete torres para o exterior, de um ou dois pisos, integrando a de menagem. Esta seria acedida por um passadiço ameado a partir da muralha, e possuiria duas portas rasgadas em torres: a principal voltada para a vila, e a da traição, a poente. No interior do recinto encontravam-se a igreja e o Paço dos Comendadores. Do castelo subsiste apenas parte das frentes norte e nascente, parte da muralha, um caminho de circulação protegido por guarda plena, a torre norte com várias seteiras, e a torre a nascente, que integrava o paço. Esta é rasgada por janelas conversadeiras em revivalismo neomanuelino, procurando reproduzir as desenhadas por Duarte de Armas. O castelo é o único da Ordem do Templo em Portugal a integrar no interior do recinto a igreja. 

Na sequência do desenvolvimento da povoação, foi edificada uma segunda linha de muralhas, com sete portas, facto que correspondeu ao crescimento da povoação e à importância da estratégia militar. No século XV, ocorreu a construção da barbacã e dos balcões da cerca.

Mais tarde e por iniciativa da Ordem de Cristo, foi instalado o Paço dos Comendadores, uma estrutura palaciana acastelada, desenhada por Duarte de Armas, no início do século XVI, com um pátio interior e jardim, e que foi sucessivamente remodelada ao longo dos séculos. O espaço degradou-se no seguimento das destruições efetuadas pelas tropas napoleónicas. 

As Guerras da Restauração (1640-1668), a invasão hispano-francesa (1704), a utilização do castelo como quartel das tropas na cidade (a partir de 1799) e as invasões francesas (1807-1810) causaram fortes danos na fortificação. A torre sineira recebeu o relógio no séc. XIX e possui atualmente a zona superior do carrilhão com perfil circular e ventanas em arco apontado, executada no século XX. 

O restaurado do castelo teve início pela iniciativa da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que consolidou as estruturas ainda subsistentes e recriou alguns apontamentos, como as janelas neomanuelinas. Seguiram-se as intervenções arqueológicas, que permitiram identificar um vasto espólio medieval contemporâneo da construção inicial do castelo.  

Mais informação em:

DGPC: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71175/ 

Monumentos.gov: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2495 

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