Património Templário Nacional

Castelo de Soure

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Castelo

Não estão esclarecidas as fases de ocupação do castelo de Soure, em particular as que coincidem com o início da estrutura militar. As referências documentais surgem apenas no século XI, na segunda vaga de povoamento cristão no território, mas a existência de um aximez moçárabe; reaproveitado um lintel de porta numa das torres, aponta para uma fase anterior, eventualmente a rondar os séculos IX-X. Terá sido erigido por D. Sesnando, governador moçárabe do território de Coimbra, e terá sido reformado pela Ordem do Templo, que recebera em doação o território em 1128. Tratava-se de uma importante zona de controlo da via romana que ligava Olisipo (Lisboa), Aeminum (Coimbra) e Bracara Augusta (Braga).

Na Reconquista Cristã, o castelo teve, assim, um relevante papel estratégico, tendo sido sede da Ordem. Até à conquista de Lisboa, seria uma praça fortificada, incluída na cintura de edificações militares da defesa de Coimbra, definitivamente conquistada em 1064, que incluía ainda os castelos de Montemor-o-Velho, Penela, Santa Olaia, Germanelo, Miranda do Corvo e Lousã. A proximidade do castelo à confluência dos rios Anços e Arunca servia-lhe de fosso natural. D. Teresa doa o Castelo de Soure à ordem dos Templários em 1128, doação confirmada por D. Afonso Henriques em 1129, altura em que é atribuída a reformulação do castelo aos templários, passando a integrar a linha defensiva meridional de Coimbra, ao tempo a capital do reino.

O “castelo de muro” foi construído numa zona baixa e não num cume. Apresenta uma planta irregular, onde se conserva ainda a torre com o alambor templário nas três faces, possui ainda seteiras retilíneas. Os vários vãos remontam a diferentes épocas, desde o proto-românico. Os capitéis e mainéis centrais remontam à época de D. Sesnando, na segunda metade do século XI. Uma segunda fase de construção terá ocorrido após a ocupação pelos Templários, com a restauração militar do século XII. Terão surgido duas torres a sul, uma delas voltada para o rio, e uma terceira, a sudoeste, apoiada na muralha pré-existente, demolida no século XIX e da qual ainda são visíveis vestígios. No piso superior, encontra-se um arco moçárabe.

Após a extinção da Ordem do Templo, o castelo foi integrado na Ordem de Cristo e passou a constituir o paço do Comendador. No reinado de D. Manuel foram construídos o portal voltado a sudoeste e uma janela mainelada, a poente. Com o tempo, a função militar foi desaparecendo.

Capela de S. Mateus

A capela terá sido construída no final do séc. XII, na época templária, da qual permanece apenas uma lápide comemorativa do falecimento do eremita Rício, ou Rijo. Sofreu alterações significativas no início do séc. XVI, período manuelino inicial, segundo a tradição batalhina. Destacam-se o portal, o óculo, a esfera armilar e o brasão da Ordem de Cristo. A escultura do São Rijo e os pequenos e dispersos painéis de azulejos mudéjares datam do início do século XVI.

 Mais informação em:

DGPC: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70361/  

Município de Soure: https://www.cm-soure.pt/concelho-historia.html | http://www.cm-soure.pt/freguesias-soure-turismo.html

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